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| Centro Comercial Ventura Plaza - o que, no Brasil, chamaríamos de Shopping Center. |
Eles não gostam do Neymar.
Quando digo que não gostam significa um sentimento parecido com ódio. Os
motivos para isso são a) Neymar joga no Barcelona, rival do Real Madrid, onde
atua o maior ídolo atual colombiano, James Rodríguez; b) o jogador brasileiro
iniciou uma briga no último jogo entre as seleções; c) segundo os colombianos,
Neymar forjou ter sido machucado por Zuñiga na Copa do Mundo do ano passado. Se
ter uma vértebra quebrada é “forjar”, não quero imaginar o que é “não-forjar”.
Quando ando na rua, algumas
pessoas reconhecem meu rosto das propagandas feitas do curso de inglês. Acham
que sou americano e me tratam bem. Quando digo que sou brasileiro, a primeira
coisa que ouço é (e não uma só vez, foram várias): “Encostar em você machuca?”
ou “O que joelhada te lembra?”. Essa é a imagem que Neymar transmite.
Mas não é só isso. Hoje pedi
ajuda para uma moça chamada Daniele. Ela trabalha vendendo pollo - frango - e estava sem fazer nada, de boa olhando o movimento. Procurava um lugar onde pudesse cambiar dólar para peso – mais um
motivo para pensarem que sou americano. Enquanto íamos de casa de câmbio em
casa de câmbio, pesquisando o melhor preço, ela me disse que estuda psicologia.
Eu falei que estou terminando jornalismo no Brasil. Logo a cara dela se fechou
e eu perguntei o porquê.
– O jornalismo de vocês faz
parecer que aqui só tem droga, máfia e narcotráfico. Eu amo meu país – ela
disse – e não gosto de ver essas notícias ruins.
Fiquei em silêncio enquanto
a ouvia. Não iria replicar, dizendo que o que eles pensam dos brasileiros
também está errado. No final, Daniele ainda soltou uma frase assim: as mulheres
aqui são mais bonitas.
Não declarei nada.
(...)
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| Para não contaminar outras pessoas, os que estão doentes usam máscaras para evitar a proliferação do vírus. |
Com
a loucura do clima, ficar gripado não é difícil. A cidade é rodeada por
montanhas frias. Mas em Cúcuta, o calor é enlouquecedor. Choveu hoje de manhã.
Refrescou o clima.
Muitas
pessoas andam de máscara na rua. Fiquei encucado com isso. Perguntei a uma
pessoa na rua o porquê. Disse que usam para não espalhar contaminação. Só as
pessoas gripadas usam as máscaras (tipo de dentistas). Fiquei preocupado com
surtos de H1N1, mas nenhum noticiário aqui alarmou uma epidemia ou casos de
gripe suína. Uma simples gripe já é motivo para sair de máscara.
(...)
Eu
nunca havia ouvido falar de plátano. Até que um dia fizeram para mim na hora do
almoço. Parece-se com uma versão gigante e da banana, mas o sabor é
completamente diferente. Confesso que não consegui comer metade. Aqui eles
comem batata com a casca. No começo eu estranhei, mas agora estou começando a
me acostumar com as coisas aqui.
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| Plátano tem grande quantidade de fósforo, potássio, fibra e proteína. |
Mas
eu lhes prometi cozinhar algo divino um dia. Se chama Ouro de Tolo. Tive dificuldade
de encontrar bacon para fazer o O.T. Imaginei que bacon fosse bacon em qualquer
lugar. Mas eles chamam de “tocino” ou “tocineta”.
Ansioso
para ver a cara deles ao se lambuzarem com geleia, manteiga de amendoim e
bacon.
(...)
Fui
à livraria do Shopping (Centro Comercial). Logo na vitrine há um cartaz escrito
“Los más vendidos”. Fiquei curioso para saber o que os cucutenhos gostam de
ler. Decepcionei-me ao ver Paulo Coelho lá.
(...)
Vocabulário daqui:
Pelado(a): menino (a)
Tuerto: caolho
Buseta: Micro ônibus
Buseteiro: Motorista de micro ônibus
Escoba: Vassoura (aprendi de uma forma
engraçada)
Chevere: legal
Broma: Piada
Jugo: Suco



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