| Fronteira entre Cúcuta e Ureña, na ponte Francisco de Paula Santander |
Desde meados de agosto a fronteira entre Colômbia e Venezuela - mais especificamente entre o departamento colombiano de Norte Santander e o estado venezuelano de Táchira - está cerrada.
Segundo o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o motivo do fechamento da fronteira é para limpar o paramilitarismo, a criminalidade e o contrabando.
A decisão foi tomada após um atentado a soldados da guarda bolivariana que deixou três militares e um civil feridos.
O governador do estado de Táchira, José Vielma Mora, informou que mais de 1000 colombianos ilegais na Venezuela foram entregues ao Consulado Geral da Colômbia.
As expulsões, desde agosto até o início de novembro, já ultrapassam as 1820 que ocorreram no ano de 2014 inteiro.
O governo colombiano pediu à Venezuela que respeite a integridade e os direitos humanos dos cidadãos colombianos que sejam alvos de detenções, deportações ou qualquer tipo de ação. "Exigimos que antes de aplicar medidas de deportação se analise a situação familiar para garantir a união de pais e filhos", declarou a chancelaria colombiana em um comunicado.
Efeitos do Fechamento da Fronteira
Com a crise que tem assolado a Venezuela, a cotação do Bolívar - moeda venezuelana - é muito baixa e os preços dos produtos desse país são ínfimos.
Nicolás Maduro assegura que grupos paramilitares colombianos viajam com regularidade à Venezuela, comprando gasolina e outros produtos com baixo preço e vendendo na Colômbia, causando caos e escassez com a finalidade de desestabilizar a revolução.
Com o fechamento da fronteira, o preço da gasolina em cidades colombianas que ficam na fronteira, como Cúcuta e Villa del Rosário, aumentou.
Produtos como manteiga, farinha, azeite, papel e macarrão, que normalmente eram comprados na fronteira com um preço ínfimo, agora já não são mais comercializados.
De acordo com o colombiano estudante de Comércio Internacional, Diego Chan, o fechamento da fronteira é bom para a economia de Cúcuta e Colômbia, em geral. "O fato de ter que comprar produtos nacionais impulsa nossa economia, valoriza os nossos produtores, diminui o contrabando e pode gerar empregos", afirmou o estudante.
Já para o casal Leonardo Romero e Deisy Leal, o fechamento é um problema. É muito normal colombianos virem ao Brasil por via terrestre. O preço da passagem de ônibus de Cúcuta até San António, a primeira cidade venezuelana depois da fronteira, é menos de R$ 2, 50. De San António à San Cristóbal, capital do estado de Tachira, não chega a ser R$ 2,00. De lá até Manaus, não se gasta R$ 150.
O casal, que já havia comprado passagens de Manaus a São Paulo no início de agosto, iria de Cúcuta até Manaus de ônibus. Uma aventura de quatro dias, mas muito econômica. "Com menos de R$ 200 se pode atravessar a Venezuela e chegar ao Brasil", disse Deisy.
Com o fechamento da fronteira, não é mais possível fazer esse tipo de viagem. "Tivemos que comprar passagem de avião até Letícia, capital do departamento de Amazonas, na Colômbia, e de lá, pegaremos um barco até Manaus", complementou Deisy, lamentando o fato de a viagem ter ficado mais cara do que o planejado.
Medidas Humanitárias
As autoridades colombianas criaram um Centro de Mando Unificado, na cidade de Cúcuta para atender aos deportados. "Necessitamos que se dê um tratamento digno aos colombianos na fronteira, que se respeitem seus direitos humanos", disse o Ministro do Interior, Juan Fernando Cristo.
A Cruz Vermelha tem dado assistência aos colombianos que moram na Venezuela, mas que ficaram presos em Cúcuta.







