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quarta-feira, 1 de julho de 2015

A Viagem

Dia 1

Os Andes Peruanos, logo depois do Lago Titicaca
O voo de São Paulo a Lima foi o pior que já tive. Tanta turbulência. O avião subia e descia, como se estivesse andando em uma rodovia esburacada, tipo a BR-364.
Pelo menos a vista era bela. O lago Titicaca, na fronteira entre Bolívia e Peru, tão azul quanto um oceano, banhava os arredores das montanhas dos Andes.

Chegou o lanche do voo. Uma mistura de repolho, batata doce frita e queijo. Em um outro recipiente, dois quadradinhos de mamão e melão.

Vocês já devem imaginar o resultado de turbulência e repolho. O cheiro no avião era insuportável. A fila para o banheiro, enorme. Quando pousamos em Lima, agradeci a Deus como nunca antes.

Em Lima

Nunca mais reclamo do Brasil. No aeroporto de Lima, não existe bebedouro. Tive de comprar água em um café na ala internacional. O wifi era aberto por somente 10 minutos e com sinal pior que o da CTBC. Nunca imaginei que fizesse frio no Peru. Mas fazia. Muito. O clima bem nublado.
Fiquei pouco tempo lá, pois meu avião para Bogotá adiantou-se e outra história começou.

Para Bogotá

Na minha fila havia um argentino me zoando e uma mexicana me dando cotoveladas. Mas, mais uma vez, a bela vista dos Andes amenizou um pouco o sofrimento. A vista do Yerupaja, o segundo maior pico do Peru, era estonteante.
No lanche, só havia cerveja e mais uma vez o repolho. Perguntei se não havia outra coisa e a aeromoça me disse: "suco de pêssego e um pedaço de pão." Aceitei, orando para que não houvesse turbulência demais nesse voo.
Depois de duas horas e meia, pousamos em Bogotá. Ficamos presos no avião por meia hora, esperando liberação para descer. Foi a meia hora mais longa da minha vida.

Em Bogotá

Havia wifi! E livre! Mas não havia água. Estava faminto e encontrei um restaurante relativamente barato. Comi nachos e tacos com limonada. Arrependi-me depois.
Fiquei 8 horas naquele aeroporto, tremendo com o frio. Nunca imaginei que fosse frio lá. Deitei-me no chão e dormi, mas de meia em meia hora acordava, ouvindo um grupo de pessoas rindo de mim, dormindo com o chapéu na cara. O banheiro da sala 6 não aguentava mais me ver. O frio me dava vontade de fazer xixi toda hora.
Em uma das vezes que dormi, sonhei que a Shakira passava. Ao acordar, decepcionei-me. Às 10 da noite, finalmente, entrei no voo para Cucuta.

Voo para Cucuta

Selfie de chegada ao Aeroporto Camilo Dazzo
O avião de voo nacional era melhor que os do dois internacionais. Eu podia escolher o filme que queria assistir e terminei How I Met your Mother. Não havia ninguém ao meu lado também. E não havia repolho - o mais importante. Mas a turbulência foi pior.
Dessa vez, o céu parecia a Belém-Brasília na época em que ia de carro para Ribeirão Preto. Quase caímos em Bucaramanga - sem brincadeira. A minha sorte é que havia tomado dois comprimidos de Dramin - caso contrário, haveria vomitado.
Cheguei vivo em Cucuta. Graças a Deus. Fui bem recebido por um grupo de colombianos e duas mexicanas.
Como diz Jean Valjean: "Vamos ver o que este novo mundo reservou para mim".

(Da esquerda para direita) Ana (México), Jonathan Torrado,
Eu, Josué Murcia, Yolanda, Carla e Jhuly  

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