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domingo, 5 de julho de 2015

Ida à Pamplona

Algumas jovens tocavam lira na praça. O som me recordava o badalar dos mensageiros dos ventos na casa da minha avó. Uma brisa reconfortante soprava por entre as folhas das árvores e então sentei, balancei-me da mesma forma que fazia quando era criança e deixei os pensamentos devanearem.
Estávamos (eu e meus host siblings, Jonathan Josué e Marta Raquel) nos preparando para ir à Pamplona: uma competição de fanfarras aconteceria e eles tocariam.
Pamplona é uma pequena cidade situada a 75 quilômetros de Cúcuta e há muita história naquela lugar. Fica na cordilheira oriental dos Andes Colombianos a uma altitude de 2200 metros. Simon Bolívar a chamava de "Ciudad Patriota", pois foi a primeira da Revolução Neogranadina a proclamar a independência.
Íamos de micro ônibus. Pagamos, cada um, 20.000 pesos (25 reais) e fomos nos aventurar na estrada. Mesmo tendo pedágio, a estrada é horrível, bem parecida com a rodovia para Petrópolis-RJ. Como brasileiro, agradeci o fato da grana investida em pedágios realmente ser convertida em rodovias boas.
Havia 16 outros participantes da fanfarra no micro-ônibus– para falar a verdade, só havia fanfarristas lá. Uma televisão funcionava. O motorista – boseteiro – colocou um dvd com uma seleção de músicas para vermos e escutarmos. Quis rir quando ouvi “Xibom Bombom” e “Ai se eu te pego”. Surpreso quando ouvi uma banda de mulheres chamada Las Ketchup cantando “Aserehe” da banda Rouge. As muitas curvas me davam tonteira e lamentei não ter tomado Dramin.
Demoramos 3 horas para chegar a Pamplona. O ônibus parava toda hora para deixar ambulantes entrarem e venderem churros e tangerinas. O clima esfriava. É interessante o quanto um clima pode mudar em uma distância curta.
As pessoas tentavam falar comigo mas o espanhol daqui é diferente. Eles falam mais rápido do que o normal e são como os de Frutal: não completam as palavras. Pensavam que eu era americano, pois souberam que estou na Colômbia para ensinar inglês e até me felicitaram pelo Dia da Independência – 4 de julho.
Almoçamos Pollo Broaster - Frango frito. Aqui não usam talheres. Comemos tudo com as mãos e o próprio restaurante oferece luvas de plástico. Tomamos 7 Up - já havia me esquecido de como era o sabor. 
As nuvens estavam baixas quando as bandas começaram a desfilar nas ruas do centro. Os habitantes da cidade estavam nas calçadas filmando e assistindo às marchas. Em um café/bar irlandês, vários argentinos assistiam à final da Copa América. Encontrei um pouco de conforto lá – finalmente havia encontrado pessoas que falam inglês; finalmente podia entender e ser entendido. Mas fui-me logo. Não podia me perder dos meus amigos.
A banda de Ex-Alunos se preparando para tocar
Já se passava das 5 da tarde quando todas as bandas foram para um Coliseu - quadra - onde iriam saber quem era a melhor da região. O frio começava a ser cortante, mas eu não reclamava. O calor de Cúcuta me fizera clamar por um pouco de frio.
Em torno de 7 bandas tocaram. Eu queria ver o jogo, mas era quase impossível sair do Coliseu. Mais de 5000 pessoas encheram o lugar que não era tão grande assim.
Do microfone, o narrador do evento disse que o Chile havia sido campeão. Durante cinco minutos, todos gritaram, comemorando a derrota da Argentina e isso me fez lembrar do Brasil.
O Coliseu onde as bandas se apresentaram
Ao sairmos do Coliseu – a banda dos meus amigos não ganhou – estávamos famintos, mas ninguém queria parar na estrada para comer. Ansiávamos por chegar em casa e sabíamos que o caminho de volta daria enjoo.
O bosetero pôs um filme para vermos. Algo relacionado ao tsunami de 2004 na Ásia. Demoramos menos na volta: 2 horas. Ao chegar a Cúcuta, era possível ver os rostos que expressavam enjoo e dor de cabeça. Descobri que não era o único a ter esse tipo de problema.
Era possível sentir o calor de Cúcuta, mas estava feliz por chegar em casa. Comemos arepas e terminamos o dia.



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